Foi-me pedida a elaboração de um texto em que defendesse uma personagem considerada, por mim, exemplar. Desde já refiro que ninguém considero de tal forma. No meu entender, todas as personagens, desde os mais famosos de todos os tempos, de Júlio César a Cleópatra, de Maradona a Kennedy (O JFK dos States, não o que era esquerdino e passou pelo Benfica…), até àquelas personagens que ninguém conhece, como o padeiro ou o assentador de tijolos que ajudou a fazer a casa têm muitos defeitos e muitas qualidades.
Assim, nunca idolatrei cegamente ninguém. Há personagens que admiro bastante, mas não o suficiente para conseguir defender num exercício argumentativo deste género. Assim, para conseguir realizar um exercício argumentativo capaz, não poderei utilizar apenas uma personagem. Prefiro criar uma personagem primeiro, e argumentar a favor dessa minha personagem de seguida…
A “pessoa” que eu defenderei será um misto de Floribella, Ricardo Araújo Pereira e Chuck Norris.
Passo a explicar: o senhor (ou senhora?) Floricachu seria uma pessoa com um sentido de Humanidade bastante grande, defensora dos pobres e oprimidos, dos que nada têm e nunca ficam com nada, dos que apenas querem um espaço no Mundo para viver, calmos e felizes, sem os ricos e poderosos a empatar. Como dizia Garrett, através de um diferente vocabulário, por cada boa ventura de um rico, há milhões de pobres a sofrer. Esta era a costela de Floribella.
A costela de Ricardo Araújo Pereira permitiria a essa pessoa ridicularizar os ricos e fazer rejubilar os pobres. Ou seja, transmitiria verbalmente o pensamento e as atitudes tomadas pela costela floribellesca. É sempre importante em alguém verbalizar os seus sentimentos. A verbalização, tímida ou irreverente, cuidada ou em calão, é sempre, em todo e qualquer caso, preferível à interiorização de um pensamento. Por estes motivos, a minha figura predilecta teria que ter obviamente uma porção do melhor rabulista português, que por sinal é também um belíssimo pensador por trás da máscara de comediante.
Mas muitas vezes, não chega tomar atitudes e pensar em tornar o Mundo mais feliz… e mesmo falando, a nossa voz não é ouvida. Quando a palavra verbalizada não é ouvida e tida em conta, de forma a modificar a situação precária dos que nada chegam a ter, entram em cena as armas! Punhos, facas, catanas, Kalashnikovs. Há que lutar pelo que se acredita, sempre, apesar de a luta armada dever ser um último recurso. Mas… quantas vezes sabemos nós que pensamos com razão, acreditamos em ideais sobre os quais temos razão, e no fim de contas, ninguém com um pingo de poder toma em linha de conta o que queremos ou deixamos de querer? Há que ter coragem para enfrentar o poder estabelecido, com armas se for caso disso! Como o grande Chuck Norris, que dava pancada em tudo quanto mexia nos filmes.
Penso que uma personagem que conjugasse estas três virtudes, seria perfeita. E no meu entender, houve uma que quase personificou a fantasiada (ou o fantasiado!) Floricachu. O seu nome é Ernesto Guevara de la Serna… Ou simplesmente… Che!
Sempre teve, ao longo da sua vida, actos e pensamentos a favor dos pobres da Argentina, e mais tarde da América Latina. Gratuitamente usava os seus conhecimentos de medicina, e monetariamente ajudava os pobres a ultrapassar a sua situação. Não é inequivocamente conhecido se era um rei do humor ou não, mas os seus pares diziam que em privado era um grande companheiro de riso.
Apesar de não ser humorista reconhecido, sem dúvida verbalizava bastante bem aquilo que pensava, e disso são exemplo as suas inúmeras frases com um toque apenas… fantástico! "Los poderosos pueden matar una, dos hasta trés rosas, pero jamás podrán detener la Primavera!", ou em português: “Os poderosos podem matar uma, duas, ou até três rosas, mas nunca conseguirão deter a Primavera!”. “Ser capaz de sentir indignação contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, é a qualidade mais bela de um militante.” “Não nego a necessidade objectiva de estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental, porque então, ela acaba por impor a sua própria força às relações entre os homens.” Três exemplos entre dezenas e dezenas deles.
E sem ser ouvido, passou das palavras aos actos. Refiro-me, obviamente às guerrilhas sul-americanas, que conseguiram, com ele ou com a sua influência psicológica mais tarde, derrubar governos corruptos e de direita imperialista e fantoche, sob influência americana, que calavam os camponeses, os artesãos, os que nem camponeses ou artesãos conseguiam ser. Os que tinham visto os seus campos roubados para as multinacionais. Os que tinham visto a sua comida racionada para alimentar os turistas ricos. Os que sentiam na pele sob a forma de tortura, física e psicológica, o castigo por pensarem diferente. E pode dizer-se que teve um grande sucesso…
Porque é que não é então, uma personagem perfeita, e utilizei tantos artifícios ao longo do meu trabalho? Porque também ele cedeu à tentação de tocar uma bateria com demasiados pratos e tambores. As guerras africanas não eram para ele, e ele não percebeu que África era bem diferente da sua terra natal. Esse foi, para mim, o seu maior erro… E como podem ver, até uma personagem aparentemente com poucos defeitos errou de forma clara!
Poderia apontar outro defeito. Partiu demasiado cedo do solo do nosso planeta. Mas isso… foi culpa dos Americanos!
Como de costume.
Assim, nunca idolatrei cegamente ninguém. Há personagens que admiro bastante, mas não o suficiente para conseguir defender num exercício argumentativo deste género. Assim, para conseguir realizar um exercício argumentativo capaz, não poderei utilizar apenas uma personagem. Prefiro criar uma personagem primeiro, e argumentar a favor dessa minha personagem de seguida…
A “pessoa” que eu defenderei será um misto de Floribella, Ricardo Araújo Pereira e Chuck Norris.
Passo a explicar: o senhor (ou senhora?) Floricachu seria uma pessoa com um sentido de Humanidade bastante grande, defensora dos pobres e oprimidos, dos que nada têm e nunca ficam com nada, dos que apenas querem um espaço no Mundo para viver, calmos e felizes, sem os ricos e poderosos a empatar. Como dizia Garrett, através de um diferente vocabulário, por cada boa ventura de um rico, há milhões de pobres a sofrer. Esta era a costela de Floribella.
A costela de Ricardo Araújo Pereira permitiria a essa pessoa ridicularizar os ricos e fazer rejubilar os pobres. Ou seja, transmitiria verbalmente o pensamento e as atitudes tomadas pela costela floribellesca. É sempre importante em alguém verbalizar os seus sentimentos. A verbalização, tímida ou irreverente, cuidada ou em calão, é sempre, em todo e qualquer caso, preferível à interiorização de um pensamento. Por estes motivos, a minha figura predilecta teria que ter obviamente uma porção do melhor rabulista português, que por sinal é também um belíssimo pensador por trás da máscara de comediante.
Mas muitas vezes, não chega tomar atitudes e pensar em tornar o Mundo mais feliz… e mesmo falando, a nossa voz não é ouvida. Quando a palavra verbalizada não é ouvida e tida em conta, de forma a modificar a situação precária dos que nada chegam a ter, entram em cena as armas! Punhos, facas, catanas, Kalashnikovs. Há que lutar pelo que se acredita, sempre, apesar de a luta armada dever ser um último recurso. Mas… quantas vezes sabemos nós que pensamos com razão, acreditamos em ideais sobre os quais temos razão, e no fim de contas, ninguém com um pingo de poder toma em linha de conta o que queremos ou deixamos de querer? Há que ter coragem para enfrentar o poder estabelecido, com armas se for caso disso! Como o grande Chuck Norris, que dava pancada em tudo quanto mexia nos filmes.
Penso que uma personagem que conjugasse estas três virtudes, seria perfeita. E no meu entender, houve uma que quase personificou a fantasiada (ou o fantasiado!) Floricachu. O seu nome é Ernesto Guevara de la Serna… Ou simplesmente… Che!
Sempre teve, ao longo da sua vida, actos e pensamentos a favor dos pobres da Argentina, e mais tarde da América Latina. Gratuitamente usava os seus conhecimentos de medicina, e monetariamente ajudava os pobres a ultrapassar a sua situação. Não é inequivocamente conhecido se era um rei do humor ou não, mas os seus pares diziam que em privado era um grande companheiro de riso.
Apesar de não ser humorista reconhecido, sem dúvida verbalizava bastante bem aquilo que pensava, e disso são exemplo as suas inúmeras frases com um toque apenas… fantástico! "Los poderosos pueden matar una, dos hasta trés rosas, pero jamás podrán detener la Primavera!", ou em português: “Os poderosos podem matar uma, duas, ou até três rosas, mas nunca conseguirão deter a Primavera!”. “Ser capaz de sentir indignação contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, é a qualidade mais bela de um militante.” “Não nego a necessidade objectiva de estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental, porque então, ela acaba por impor a sua própria força às relações entre os homens.” Três exemplos entre dezenas e dezenas deles.
E sem ser ouvido, passou das palavras aos actos. Refiro-me, obviamente às guerrilhas sul-americanas, que conseguiram, com ele ou com a sua influência psicológica mais tarde, derrubar governos corruptos e de direita imperialista e fantoche, sob influência americana, que calavam os camponeses, os artesãos, os que nem camponeses ou artesãos conseguiam ser. Os que tinham visto os seus campos roubados para as multinacionais. Os que tinham visto a sua comida racionada para alimentar os turistas ricos. Os que sentiam na pele sob a forma de tortura, física e psicológica, o castigo por pensarem diferente. E pode dizer-se que teve um grande sucesso…
Porque é que não é então, uma personagem perfeita, e utilizei tantos artifícios ao longo do meu trabalho? Porque também ele cedeu à tentação de tocar uma bateria com demasiados pratos e tambores. As guerras africanas não eram para ele, e ele não percebeu que África era bem diferente da sua terra natal. Esse foi, para mim, o seu maior erro… E como podem ver, até uma personagem aparentemente com poucos defeitos errou de forma clara!
Poderia apontar outro defeito. Partiu demasiado cedo do solo do nosso planeta. Mas isso… foi culpa dos Americanos!
Como de costume.
1 contributos para a discussão do tema.:
LOL, filosofo.
:p
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